anula dez para querer morrer;
Escrevi essa frase um dia desses, como muitos outros, em que nada da minha vida parece fazer o menor sentido.
Você fica se questionando sobre coisas que realmente parecem importantes para você naquele momento. Coisas que você não tem como resolver, muito menos agora.
E pensa, pensa, pensa e não chega à conclusão nenhuma;
Assim, esses pensamentos angustiantes estavam tomando conta da minha mente mais uma vez, quando começou a chover e faltou luz.
Saí correndo para fechar as janelas, depois disso, ficamos eu, uns trovões e o cheiro de chuva.
E foi justamente ele, o cheiro de chuva, que me fez sentir uma alegria repentina.
Junto com o ele, vieram-me lembranças: a chuva no fim de tarde, a sessão da tarde, a casa da vovó e os bolinhos de chuva.
Café com leite e pão quentinho, novela das seis, uniforme e mochila da barbie.
Páscoa, achar os ovos, mãe chegando do trabalho, banho de chuva, brincar de Jade (O Clone) com a minha prima, montar peças de teatro e chamar todo mundo pra assistir, rede na varanda.
Subir no ''quartinho'' e procurar livros e outras coisas antigas interessantes (a Amanda tinha alergia, essa parte eu fazia sozinha), fotos antigas, quadros do vovô. Roubar pitanga na casa da D. Dalva, esconde-esconde, polícia e ladrão e mãe da rua.
Banho de mangueira, piscininha de mil litros no quintal.
A felicidade é isso: surge quando a gente não espera, surge em forma de lembranças. Faz a gente perceber todas as pequenas coisas boas. A felicidade é uma máquina do tempo, transforma a nossa angústia e nossa tristeza em sentimentos insignificantes diante de sua grandeza.
Tudo que temos que fazer é nos deixar levar pela felicidade repentina, e assim anular todos os motivos para querer morrer.
1 comentários:
Me fez lembrar um verso da música Quem de nós dois, da Ana Carolina. Sabe aquele
"E faço das lembranças um lugar seguro"? Então...
é tão gostoso ter boas lembranças das coisas. Dá uma saudade gostosa e uma vontade de voltar e ficar por lá. =/
E, juro, essa frase que você escreveu faz tanto sentido pra mim, me agrada tanto, que eu queria ter sido seu autor.
Belo texto, Luu
Beeijo
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