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nada que faça sentido ou um lugar melhor - eu quero estar em qualquer outro lugar o tempo todo

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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Desfocado

Desejo.
respirar seu fôlego
perder meu ar
encontrar-me em você

Como uma passagem secreta
um disco velho
e um sonho repetido

Saudade.
aquecer seu sorriso 
abraçar seu beijo
esquecer-me em seus fios





quarta-feira, 4 de julho de 2012

C'est un peu solitaire

O que eu quero dizer é que há um problema
quando todas as pessoas são chatas, salvo você.
Desculpe, na verdade eu não vejo problema nenhum nisso.




a quem confiar meu poema?

fragmentos
 versos desconexos
 toda a - não - melodia
 rimas e métricas
erradas e tortas
caminhar complexo
 quem entenderia
 o labirinto
 combinado de palavras
(mal feito)
 num domingo a noite?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Primeira poesia

"Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena"


Tem esse trecho da poesia de Ferreira Gullar em um quadro na casa da minha avó desde que eu me entendo por gente.
Tem esse trecho da poesia de Ferreira Gullar na minha cabeça desde que eu sei juntar as letrinhas e formar palavras.
Tem esse trecho da poesia de Ferreira Gullar escrito num caderninho pelo meu irmão quando a gente era bem pequeno e ele achava esses versos bonitos.
E então um dia eu me interessei pelo resto da poesia:

"Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena."

sábado, 7 de agosto de 2010

Cartas a um jovem poeta




Quase um mês sem postar resulta nisso:
um trecho bonito de um livro bonito.

"É tão novo, tão inexperiente ainda perante as coisas, que desejaria pedir-lhe, o melhor que soubesse, uma grande paciência, para tudo que ainda não estiver resolvido no seu coração. Esforce-se para amar as suas próprias dúvidas como se cada uma delas fosse um quarto fechado, um livro escrito em língua estrangeira. Não procure, por enquanto, respostas que não lhe podem ser dadas, porque ainda não saberia pô-las em prática, vivê-las. E trata-se, precisamente de viver tudo. De momento, viva apenas as suas interrogações. Talvez que, simplesmente vivendo-as acabe um dia por penetrar insensivelmente nas respostas"

(Rainer Maria Rilke)

É isso. Nada de querer tudo agora, pronto e resolvido.
Tudo vem a seu tempo: coisas boas, coisas ruins, perguntas, respostas e mais perguntas.
E o que resta a nós, jovens poetas, fazermos?
Viver.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Do nada

Vamos à uma frase perdida que eu escrevi do nada e não consegui transformar em nada melhor do que uma simples frase avulsa:

Eram memórias frequentes de um amor delicado que ela definitivamente gostava de guardar no coração.


:)

sábado, 19 de junho de 2010

As pequenas coisas

Está tudo ficando escuro.
Mas as vezes eu não tenho o que fazer e simplesmente sento no chão da sala lá de casa. "Casa". Até parece que um apartamento pequeno desses pode ser chamado de casa. Bom, de qualquer forma, eu gosto de sentar ali porque o sol bate no chão de madeira de um jeito bonito e aconchegante. E eu simplesmente fico ali olhando as horas passando e passando. Metade da cortina da sala fica laranja, a outra fica amarela mesmo, porque o sol só bate em um pedacinho dela. Tem dias que faz mais frio, aí eu gosto do vento gelado que faz meu cabelo bagunçar. Aí o dia vai passando, e a minha cabeça pensa em um monte de coisas que eu nunca tinha pensado antes: "quantas pessoas no mundo estão sentadas num cantinho de sol da sala, só porque querem e gostam do jeito que o sol ilumina a madeira escura da sala?". É claro que eu não tenho resposta, mas quem tem resposta sempre?
Aliás, quem tem alguma resposta convincente para qualquer pergunta?
Aí o sol vai se pondo, a sala vai ficando escura aos pouquinhos, e quando eu percebo isso eu levanto e simplesmente volto a fazer qualquer outra coisa.