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nada que faça sentido ou um lugar melhor - eu quero estar em qualquer outro lugar o tempo todo

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Do nada

Vamos à uma frase perdida que eu escrevi do nada e não consegui transformar em nada melhor do que uma simples frase avulsa:

Eram memórias frequentes de um amor delicado que ela definitivamente gostava de guardar no coração.


:)

sábado, 19 de junho de 2010

As pequenas coisas

Está tudo ficando escuro.
Mas as vezes eu não tenho o que fazer e simplesmente sento no chão da sala lá de casa. "Casa". Até parece que um apartamento pequeno desses pode ser chamado de casa. Bom, de qualquer forma, eu gosto de sentar ali porque o sol bate no chão de madeira de um jeito bonito e aconchegante. E eu simplesmente fico ali olhando as horas passando e passando. Metade da cortina da sala fica laranja, a outra fica amarela mesmo, porque o sol só bate em um pedacinho dela. Tem dias que faz mais frio, aí eu gosto do vento gelado que faz meu cabelo bagunçar. Aí o dia vai passando, e a minha cabeça pensa em um monte de coisas que eu nunca tinha pensado antes: "quantas pessoas no mundo estão sentadas num cantinho de sol da sala, só porque querem e gostam do jeito que o sol ilumina a madeira escura da sala?". É claro que eu não tenho resposta, mas quem tem resposta sempre?
Aliás, quem tem alguma resposta convincente para qualquer pergunta?
Aí o sol vai se pondo, a sala vai ficando escura aos pouquinhos, e quando eu percebo isso eu levanto e simplesmente volto a fazer qualquer outra coisa.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Apenas o começo

Isso - seja lá o que isso for - está apenas no começo.
Você pode esperar o que quiser, você pode, simplesmente, não esperar nada.
Fazer planos, não fazê-los: não importa.
Não quero que seja nada demais. Quero que seja nada mais do que aquilo que o é - o começo.
Faça com que dure para sempre ou faça com que seja muito rápido; mas faça alguma coisa. Não fique querendo muito que eu faça.
Nós temos tudo em nossas mãos, não temos mais nada, temos tempo ou quase isso. Tudo é passageiro, mas tudo tem (tem de ter) um começo. E é nele que estamos, é ele que temos que fazê-lo nesse instante. E esse instante já passou.
Não nos concentremos mais no trio. Vamos ficar no primeiro deles, que não é por acaso que vem primeiro. Os outros (meio e fim) pouco me interessam.
E como saberemos, você me pergunta meio timidamente, quando deixaremos de estar no começo?
É simples, eu respondo meio sorrateiramente, saberemos quando tudo terminar.

sábado, 22 de maio de 2010

Você é

Encaro o céu e o tempo nublado. Procuro alguma coisa de você em cada pedacinho do mundo: e encontro.
Existe você no sonho da padaria, existe você na minha música preferida. Existe você em cada sonho bom que eu tive, existe você nas horas gastas balançando na rede.
Existe você quando eu fecho os ouvidos para o mundo e escuto sua risada.
Você está na chuva fria que cai lá fora, você está na ventania que passa batendo todas as portas.
Você está no meu reflexo em qualquer espelho, você está em cada segundo que passa no relógio da cozinha. Você é o bolo que está assando no final da tarde, você é a vontade que eu tenho de mergulhar no mar, você é o que eu tenho de melhor.
Quanto mais eu procuro por você, mais eu acho, mais eu quero achar.
Embora eu te encontre em todos os lugares, o tempo todo, nunca consigo definir o que você significa para mim.
Fico apenas com metade: " Você é."
Porque ao seu lado, eu não preciso compreender nada, preciso apenas estar.

sábado, 24 de abril de 2010

Uma boa causa

Olhou-o por mais alguns segundos, tentou ter certeza de alguma coisa.
Mas convivia consigo mesma há tantos anos que já se conhecia o bastante para saber que certeza sempre estava em falta.
Não tinha palavra que completasse o que ela sentia. Nada para definir.
Conhecia milhões de palavras, uma vez que lia livros e mais livros - mas, naquele instante, palavra alguma caberia.
Começou a sentir a garganta coçar e logo soube: lágrimas estavam a caminho. Será que nada podia fazer para afastá-las?
Fixou os olhos nos fios elétricos, nas nuvens, nos postes e até nos pombos (detestava pombos). Não funcionou.
A vista ficou confusa e quente, molhando o rosto.
Seu vestido listrado era idiota. Seu cabelo marrom era idiota. A camiseta dos Beatles dele era idiota. Os pombos eram idiotas. A vida era idiota.
"Idiota", que coisa mais idiota de se dizer. Nem o irmão de 11 anos dela usava palavras como aquela.
Por que, meu deus, por que? Por que com ela as coisas eram tão mais difíceis? Por que ela era incapaz de dividir seu mundo com alguém que definitivamente estava disposto a aceitá-lo?
Egoísmo? Na verdade, não.
Era consideração. Não achava justo que um mundo tão complicado e cheio de coisas sem sentido tivesse que ser compartilhado.
Sabia que era seu, e somente seu, o dever de zelar por tal mundo.
E sabia da grande chance de jamais existir uma pessoa que ela considerasse capaz de compartilhar essa tarefa.
Enquanto isso, era tudo idiota demais para ser levado a sério.

domingo, 21 de março de 2010

Acordar

Pode ter demorado tempo demais, ou não.
Perdi a noção do tempo. Vivendo dentro de um sonho, de maneira estranha, finalmente acordei.
Abri os meus olhos para o mundo, perdi o medo e a falta de vontade que antes me eram tão próximos.
O que eu quero a partir de agora?
Que tudo faça algum sentido, porque todas as outras partes da minha vida já deixaram de fazer.
Não sei direito por onde começar, mas o primeiro passo é o mais importante e ele (eu prometo) que já foi dado.
Antes era bom, mas agora a realidade é como um pesadelo que preciso enfrentar de olhos bem abertos.

"É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê"

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Remédio

Respiro fundo, conto até três.Nada.
Conto até dez.Respiro. Conto até três mais uma vez.
Não faz efeito algum, continuo triste.
É uma dor que você pode até fingir que não está lá, mas uma hora ela aperta e não tem muito o que fazer.
Corta o coração, arde, machuca. Parece que não cabe, ou é você ou é a tristeza no mesmo corpo;
Não consigo falar sobre, não consigo dizer como é o que eu sinto...Realmente não existem palavras boas (ou ruins) o suficiente para descrevê-la.
São poucas as coisas que não podem ser definidas, e essa dor é uma delas.
Então, só me resta fazer uma pergunta:
Qual é o remédio para essa dor?